2012-02-05

é assim

A arte

Porventura o melhor texto sobre o Amor que até hoje encontrei, escrito com alma, engenho e arte. E que só posso partilhar, em texto integral, para ser lido, relido e apreendido de igual modo:

«Sem amor, a vida permanece fria. Sem amor não há destino que mereça a pena ser vivido.
Amar sem limites nem fronteiras, de forma incondicional, é próprio da alma, e é, por isso mesmo, o único Amor real que, como tal, pode ser assim chamado, visto que tudo o mais é puro sucedâneo.
Amar sem reservas, sem limites, sem espartilhos nem bandeiras, sem condições nem subterfúgios…Amar pelo prazer de amar, pela bênção de sentir correr o alento do Universo nas nossas veias, inundando os nossos corações.
Se ainda ama com reservas, condições, apegos, censuras, medo, hesitações, ânsia, temor, cláusulas, contratos, materialismo, traumas, facturas ou dissabores… é porque não ama. Talvez ainda tenha de aprender a amar, a libertar-se de vários condicionalismos, e para isso deverá redefinir o que é o Amor para si. Faria igualmente bem em averiguar o que se esconde por trás da sua forma de amar. Tem de se amar o amor.
Amar, amar… É o maior mistério ainda por resolver. Falamos de amor e não sabemos o que é. Julgamos sabe-lo, mas poucos sentiram essa força descomunal que varre ventos de diferenças, aproxima limites de desencanto, derruba, muros de silencio, beija rostos de estranhos, abraça almas conhecidas no seu pulsar e desconhecidas no seu rosto, imunda desertos de ausência e cobre de bênçãos a vida de quem lhe abre a porta.
O amor é um mistério que habita nas profundidades do nosso espírito. O amor é Luz e a Luz é o alento do Universo. Amar é estarmos vivos. A alma assoma aos olhos e nela a brisa enamorada pinta o seu fulgor; não há brilho mais intenso e profundo do que aquele que emana de uma alma cheia de amor no pulsar da sua imensidade.
Não se trata de se enamonar de alguém: trata-se de amar, de fazer fluir essa Luz pelas nossas veias, pelas nossas vidas. Trata-se de estarmos enamorados pela vida, pela nossa própria Luz, pois isso equivale a honrar a Luz que somos, a essência da nossa vida. E, o que é o mais importante, equivale a estarmos vivos.
Amar é ser capaz de ver algo positivo no meio da tormenta, do desastre ou do problema que nos tira o sono. Amar é ser capaz de seguir em frente quando tudo se pôs contra nós e o temporal ameaça não abrandar. Amar é acreditar na bondade intrínseca de um coração desprotegido de carinho e brusco no seu pulsar. Amar é tirar forças de onde quer que seja para encontrar uma solução. Amar é tirar forças de onde quer que seja para encontrar uma solução. Amar é ir ao inferno, se for preciso, para resgatar quem quer que seja do que quer que seja. Amar é confiar em que o Universo sabe o que é melhor para nós próprios. Amar é recordar que por trás de todo o comportamento há uma intenção há uma intenção positiva. Amar é dar-se a si próprio a oportunidade de fazer de um sonho realidade e de voltar a tentá-lo todas as vezes que forem precisas.
Amar é ser amável consigo mesmo quando se tropeça, se cai ou se “fracassa”. Amar é permitir que a beleza que povoa a nossa alma assome a sua criatividade e se expresse livremente e sem rebuços de qualquer tipo.
Amar é aprender a respeitar o plano vital, seja ele qual for. Amar é aprender a respeitar o plano vital, seja ele qual for. Amar é negar-se a mendigar carinho. Amar é aceitar a solidão como ingrediente necessário para a plenitude. Amar é transcender as barreiras das aparências. Amar é ser capaz de desfrutar de tudo o que acontece na nossa vida e espremer até à última gota cada acontecimento vital. Amar é sorrir ao destino. Amar é comer chocolate sem se sentir culpado nem pensar em quantas calorias terá. Amar é ir ao ginásio e exercitar o corpo físico. Amar é manter a nossa casa limpa para assim honrar o nosso habitáculo físico. Amar é perdoar todo o tipo de ofensas e esquecê-las antes de as perdoar. Amar é não guardar rancor seja pelo que for.
Amar é recordar a nossa origem comum: a Luz.
Ame e será seu o reino dos céus aprazíveis. Por isso, para que o amem pelo que a sua alma é e não pelo que possui, comece por amar-se a si mesmo com essa classe de amor que deseja. Crie você mesmo a experiência do amor mais belo.
Comece por se enamorar de si e que seja esta relação mais importante e maravilhosa que jamais tenha na sua vida. O paradoxo reside em que, amando-se dessa maneira, atrairá o mesmo tipo de pessoas que você, isto é, as que igualmente souberem amar de verdade.
Quanto mais enamorado por si próprio alguém esteja, mais luminoso se tornará. Talvez devêssemos erguer um monumento a Narciso e devolver-lhe o seu lugar, pois o narcisismo foi mal compreendido… Uma sociedade em que as pessoas não se amam a si mesmas nem apreciam os seus dons é facilmente manipulável. Ofereça-se narcisos e lembre-se de exercitar o narcisismo sadio um pouco todos os dias.
Quanto mais honrar o ser que alberga, mais forte se tornará a sua capacidade de amar e mais amor espalhará pelo Universo…
Por isso, quando alguém for amado por si, poderá sentir o alento do Universo nas suas asas e saber-se um privilegiado do destino, pois será amado por um coração autêntico, cheio de si mesmo e com brilho da mais pura da alma. Ser amado por um ser que expressa a sua luz não tem nada de semelhante no mundo, não há nada que lhe possa comparar. Fomente o amor entre seres autênticos que expressam quem são em cada coisa que fazem. Amemos e o mundo inteiro amará connosco, e assim poderemos encher o planeta de obras de amor na sua mais variada expressão criativa.
Ame e o mundo amará consigo, criando assim brisas de eterna melodia, pois o Amor é o alento do Universo” - Forner, Rosetta (2010),Contos de Fadas, Para aprender a viver”, Lisboa, Editora Pergaminho, in Cidade Net.

2012-01-04

é assim!

Responsabilidade

Passadas que são algumas semanas sem escrever – do que me penintencio –, eis que já somos, agora, chegados ao pós-anúncio das (provisórias) traves mestras das ditas medidas de austeridade com que o novo ano nos mimoseia.

Serve tal circunstância – e não é nada que verdadeiramente não se devesse expectar depois de décadas de enreigado, persistente e indisfarçável folclore e contínuo engodo para acéfalos, feito de betão, pão e água, com que muitos (a maioria e muitas das maiorias das minorias) se deixaram moldar – para centrarmo-nos num conceito filosófico essencial, e não na pequena e corriqueira realidade, qual seja o da Responsabilidade.

O qual conceito, e sua consequência, que, por estes tempos, assaz queima, muito mais que lume. É limitar-se a vê-los, pois, a sacudir a água do capote com a maior desfaçatez, quando se impunha precisamente o inverso.

De facto, a responsabilidade (cuja origem linguística provem do grego (“respon” = independência) e do latim (“sabili” = sábio) determina e impõe, no essencial, que cada um, na sua inerente subjectividade, responda pelas suas próprias acções.

E sempre que as suas condutas e escolhas sejam, como devem ser e por norma são, produto exclusivo (maior ou menor) do seu livre-arbítrio (e, portanto, da livre determinação, vontade e liberdade também).

E isto independentemente da concreta tipologia de responsabilidade que, em cada momento, nos defrontemos e da intensidade com que as mesmas se revelam.

Significa, portanto, que sem a assunção plena da responsabilidade de cada Um – e a moda é, ao invés, a de alijar “ad nauseam”, apesar de que responsabilidades existem que jamais e em tempo algum se pode alijar e que pode-se ter por certo e seguro que a seu tempo a factura rendilhada ser-nos-á rendida sem apelo nem agravo – o Ser ontologicamente involui.

Quando só Lhe cabe naturalmente evoluir.

Paradoxal, como se vê.

in Diário Cidade.

2011-12-23


Festas Felizes. Com Paz.
"...
Mas nada não sei.
Nem tão pouco
que estar ausente é sentir,
que presente foi ontem
e que futuro é hoje.
E que somos,
afinal,
só sentir."

"Só sentir"
in Aspersões, 2011, p. 64.

2011-12-13




"Falar pouco é o que é natural.
Por isso um vendaval não dura até ao fim da manhã
e um aguaceiro não dura até ao fim do dia." - Lao Tse, in Tao Te King - cap. 23.

"说什么是什么是自然。
为什么不大风持续到早上结束
和淋浴不年底的一天。

-老挝谢,国王在陶特 

2011-11-09

é assim | a estrada da sintese

"Um dos meios primordiais e absolutamente imprescindível para a tomada de consciência e evolução conscencial do Ser é, creio que sem dúvida, a assunção por parte de cada Um, de forma plena, verdadeira e consequente, do método dialéctico.

De facto, desde os Gregos, a dialéctica consubstancia um diálogo em permanência entre factos (na acepção mais ampla que se possa imaginar de factos) contrapostos/contraditórios, de cuja contraposição e contradição é ela própria geradora de outros e diferentes factos.

Divulgada com maior ênfase por Hegel, o método dialéctico assenta numa tese (facto, afirmação ou situação inicial), numa antítese (negação desse facto, afirmação ou situação inicial) e numa síntese.

Esta última nasce da essência do conflito imanente entre a tese (afirmação/negação) e a antítese (negação/afirmação, respectivamente) e que dá lugar a um novo e diferente facto, afirmação ou situação, por comparação com os pontos de partida, ainda que contenha toda a essência e gérmen útil destes.

É certo que quando consolidado o novo facto, afirmação ou situação que a síntese permitiu revelar, tornar-se-á ele próprio, pela natureza das coisas e com a consciência parte do Ser, num novo ponto de partida. Ou seja, uma nova tese, a que seguirá a respectiva antítese, num ciclo nunca terminado. Porque, como aqui já se disse noutras oportunidades, somos sempre mudança e mudança relativa.

Serve isto para dizer que o foco instrumental, mas notavelmente eficaz, para que todo o Ser possa, querendo no alto critério do seu livre arbítrio (claro está!…), assumir a consciência do que É e evoluir conscencialmente é constatar e aceitar a constatação de que, ele próprio, é produto, sempre inacabado e sempre na forja, da Sua própria e inalienável dialéctica. Isto é, das Suas próprias teses, antíteses e sínteses, delas tenha consciência ou não.

Focando sempre e necessariamente a sua atenção permanente nas Suas, no sentido de própria e exclusivas, Sínteses.

Não sendo jamais refém e escravo de sínteses de outros – as que, muito frequentemente, são bondosamente dadas, vendidas ou impostas “docement” por terceiros que só nos querem o melhor bem do mundo – nem tão pouco, e muito menos, pelas malhas lodosas das teses e antíteses, geradoras por si só e sem a síntese, de verdadeira involução. E não de evolução, que possibilita o crescimento de todo o Ser.

Quando assim fôr, ver-se-á que a estrada bem pode chamar-se Sínteses. As de Cada Um. Ainda que em tal estrada árdua só se deva, em permanência e primacialmente, circular. E não cristalizar."

in Cidade Net.

2011-10-26

é assim | Bela sem senão

"Um dos dados inquestionáveis e inultrapassáveis de Tudo e também da Realidade que É, e portanto também da Condição Humana, é a sua relatividade.

Ou seja, Tudo é relativo!

Seja porque o é pela sua natureza intrínseca e imanente; seja porque só assim é percepcionado e integrado e, por consequência, subjectivado pelos respectivos sujeitos, mormente os dotados de inteligência.

Independentemente de qual seja a fonte ou a manifestação dessa relatividade, certo é que, verdade seja dita e para mau grado de muitos alguns, não existem, de facto, Absolutos.

Ou, na linguagem de Immanuel Kant, não existem Imperativos Categóricos absolutos. E que devam ou possam fazer “tábua rasa” da natureza da Realidade – quando na sua essência patentemente não o é – ou da Individualidade inalienável e personalidade de cada Ser, crivos em razão dos quais cada Um conscientemente realiza, ou deve realizar, as suas próprias subjectivações.

Serve isto para notar que, sendo a Relatividade um dado que a Realidade nos dá sem muito esforço e gratuitamente, só nos é exigível que à mesma nos adequemos, aceitando-a consciente e incondicionalmente.

Para tanto é necessário muito e árduo caminho a palmilhar?

Pois sim! Como se sabe, não há bela sem senão…"

in Diario Net.