15 Agosto, 2014

só a testemunha pode realmente dançar.



"Sim! Efectivamente, só uma consciência que testemunha pode realmente cantar, dançar e saborear a vida. Pode parecer um paradoxo - e é! -, mas tudo o que é verdadeiro é sempre paradoxal. Lembre-se: se a verdade não for paradoxal, então nem sequer é verdade, será outra coisa qualquer.
O paradoxo é uma qualidade fundamental e intrínseca da verdade. Deixe-o afundar no seu coração para sempre; a verdade enquanto tal é paradoxal.
 
Embora todos os paradoxos não sejam verdade, todas as verdades são paradoxos. A verdade tem de ser um paradoxo, porque tem de ser bipolar, com o polo negativo e o positivo, sendo no entanto uma transcendência. Tem de ser vida e morte, e mais. Com "mais" quero dizer a transcendência de ambos - ambos e ambos não. A verdade é o paradoxo supremo.
 
Quando habita a mente, como pode cantar? A mente cria infelicidade; da infelicidade não pode resultar canção. Quando habita a mente, como pode dançar. Sim, pode representar determinados gestos vazios, mas não é uma dança autêntica.
Somente Meera, ou Krishna, ou Chaitanya sabem a verdadeira dança; estão são as pessoas que sabem realmente dançar. Outras apenas conhecem a técnica de dançar, mas nada transborda; as suas energias estão estagnadas. As pessoas que vivem na mente vivem no ego; e o ego não sabe dançar.
Pode executar um espectáculo, mas não uma dança.
A verdadeira dança só tem lugar quando você se tiver tornado uma testemunha. então, tão abençoado que a própria bênção transborda de si; isso é dança. A própria bênção começa a cantar, emergindo uma canção de uma forma espontânea. E só quando for uma testemunha, poderá saborear a vida. (...)
 
Um espectador é diferente: é aborrecido, está numa espécie de sono. Não participa na vida. Tem medo, é um cobarde. Fica à margem da estrada e simplesmente vai vendo os outros a viver. É isso que faz durante toda a sua vida: outra pessoa actua num filme e voçê fica a ver. És um espectador! As pessoas ficam horas a fio colodas ao cadeirão, em frente dos seus televisores - espectadores. Há outra pessoa a cantar e voçê escuta.  Outra pessoa esta a dançar e você é um mero espectador. Mais alguém está a amar e você fica a ver, não é um participante. Há profissional a fazerem o que devia ser você a fazer sozinho.
 
Uma testemunha não é um espectador. (...) Uma testemunha é alguém que participa, embora permaneça alerta. Uma testemunha está no estado de wei-wu-wei. Este é um termo de Lao Tzu; significa acção através da inacção. Uma testemunha não é alguém que fugiu da vida. Vive na vida, vive muito mais integralmente, muito mais apaixonadamente, no entanto permanece um observador profundo, recordo constantemente "Eu sou uma consciência".
 
Experimente. Enquanto caminha na estrada, lembre-se de que é uma consciência. A caminhada continua e vem juntar-se uma nova coisa - junta-se uma nova riqueza, uma nova beleza. Qualquer coisa interior é acrescentada ao acto exterior. Torna-se uma chama de consciência e, então, a caminhada tem para si uma alegria totalmente diferente; está na terra, porém, os seus pés nem sequer tocam a terra.
 
Foi o que Buda disse: Atravessa um rio mas não deixes que a água toque os teus pés.
É esse o significado do símbolo oriental da flôr de lótus. Já deve ter visto estátuas e quadros de Buda sentado um lótus. O lótus não foge para as grutas dos Himalaias ; ele vive na água e, no entanto, permanece distante, afastado. Estar na praça do mercado sem permitir que a praça entre no seu ser, viver no mundo, porém, não do mundo: é isso que significa "consciência que testemunha" (...)
 
Não sou contra a acção, mas a sua acção deve ser iluminada pela consciência. Aqueles que são contra a acção acabam por ser repressivos; e todos os tipos de repressão tornam-no patológico, não integral, não saudável.
Os monges que vivem nos mosteiros (....) que fugiram da vida não são verdadeiros sannyasins. Limitaram-se a reprimir os seus desejos e afastaram-se do mundo da acção. Onde poderá ser uma testemunha se se afastar do mundo da acção?
O mundo da acção é a melhor oportunidade para estar consciente.  Apresenta-lhe um desafio e permanece um desafio constante. Ou pode adormecer e tornar-se um agente - é então um homem mundano, um sonhador, uma vitima das ilusões; ou pode tornar-se uma testemunha, continuando, no entanto, a viver no mundo. Então, a sua acção tem para ele uma diferente qualidade; é verdadeiramente acção. Aqueles que não estão conscientes, as suas acções não são verdadeiramente acções, são reacções. Eles apenas reagem.
 
Alguém o insulta e voçê reage. Insulta o Buda - ele não reage. Ele age. A reacção está dependente do outro; ele prime um botão e você é apenas um vítima, um escravo; funciona como uma máquina.
 
A verdadeira pessoa, que sabe o que é a consciência, nunca reage; age a partir da sua própria consciência. A Acção não provem do acto do outro; ninguém pode premir o seu botão. Se sente espontaneamente que é correcto fazer isto, ele faz; se sente que nada é necessário, fica quieto. Ele não é repressivo; está sempre aberto e expressivo. A sua expressão é multidimensional; na canção, na poesia, na dança, no amor, na oração, na compaixão, ele flui.
 
Se não se tornar consciente, então só existem duas possibilidades: ou será repressivo ou será indulgente. em ambos os casos, permanece em cativeiro" - Osho, in "Meditação - A Primeira e a Última Liberdade.
 

12 Agosto, 2014

anular-se

 
 
Amar é, no essencial, aceitar-se a si mesmo. Toda a fuga, guerra e luta (interna e externa, consciente ou inconsciente) que lhe é inerente e consequente (consigo, com os outros, com tudo e até com a sua alma ou com as pedras da calçada) é, antes de mais e antes de tudo, uma não aceitação.
Até porque nenhum ser pode dar genuinamente o que não tem, o que não sente ou o que não É. Quando assim alguém tenta - e é o que mais se vê e assiste! - nenhum acto existencial genuíno ou verdadeiro de dar realiza e materializa. Aí limita-se irresponsavelmente a anular-se. E esse é um direito que, de forma simples, não lhe assiste.
 

17 Novembro, 2013

aceite-se.

 
 
"No momento que se aceita a si próprio, fica aberto, fica vulnerável, fica receptivo. No momento em que se aceita a si próprio, deixa de haver necessidade de qualquer futuro, porque deixa de haver necessidade de aperfeiçoar seja o que fôr. Então tudo é bom, e então tudo é bom tal como é. E nesta mesma experiência, a vida começa a tomar novas cores e nasce uma nova musica.
 
Se se aceitar a si próprio, passara a aceitar tudo. Se se rejeitar a si próprio, basicamente estará a rejeitar o Universo; a existência. Se se aceitar a si próprio é porque aceitou a existência. E então não haverá mais nada a fazer do que alegar-se, celebrar. Não haverá e lugar para o azedume, não haverá lugar para o rancor; sentir-se-á agradecido. E a vida será boa e a morte será boa, e a alegria será boa e a tristeza será boa, e estar na companhia dos que lhe são queridos será bom e estar sozinho será bom. E tudo o que acontecer será bom porque sai do todo.
(...)
Aceite-se a si próprio - isso é prece. Aceite-se a si próprio - isso é gratidão. Relaxe no seu ser - é assim que Deus o quis. De nenhuma outra maneira ele o quis; senão tê-lo-ia feito uma pessoa diferente. Foi voce que ele fez, e não outra pessoa. Tentar ultrapassar-se a si próprio é basicamente tentar ultrapassar Deus - o que é simplesmente estupidez, e voce ficará cada vez mais louco ao tentá-lo. Não chegará a lado nenhum, terá simplesmente perdido uma grande oportunidade" - OSHO, Intimidade.  

08 Setembro, 2013

ame.

 
 
Ame. Limite-se simplesmente a amar no incondicional, a si mesmo, ao outro, a tudo o que a existência nos oferece, simplesmente por oferecer.
Ame. Limite-se a sentir, a aceitar e a ser, a cada instante, de forma total e  integral. Não julgue seja o que for. Dê o amor que nutre e que o alimenta o melhor que sabe e faça-o mais loucamente que sente, o mais genuinamente e natural que possa. Surpreeenda-se a surpreender.
Não desconsidere, não desvalorize nem menospreze a Luz do Amor de outro Ser para consigo. Não cometa essa injustiça e desamor a quem o ama, muitas das vezes bem mais que você próprio. Pode estar aí a tábua de salvação, ainda encoberta no lodo do lamaçal, escondida no quarto minguante da Lua que se não revela ou na nuvem cerrada que parece desviar o raio de Sol.
 

06 Agosto, 2013

amor ou ódio? simples.

 
Afinal, tudo se resume de forma espantosamente simples: ou és um ser de Amor ou és um ser de Ódio. Ou optas por exalar Amor ou por exalar Ódio. Ou optas por ser um instrumento do primeiro ou por ser um instrumento do segundo. Não existem outras opções ou alternativas.
Esta é a questão primeira que todo o Ser deve colocar-se a si mesmo. Tudo o mais é sua consequência, efeito ou decorrência porque ou existe Amor e o Ódio inexiste ou existe este e aquele esfuma-se.
Bem simples, portanto.
 

31 Julho, 2013

atreva-se

Que não reste dúvida alguma: cada Ser, na sua infinita complexidade e singularidade, é o único, o exclusivo, o primeiro e o ultimo responsável pelo seu próprio sofrimento, muito em especial por aquele que o destrói e aniquila. Portanto, cada um é responsável pelo seu próprio estado, na exacta medida da sua Responsabilidade, Consciência e Liberdade.
Tenha a coragem - rara, ardúa e exigente - de ser livre, ser responsável por essa sua liberdade inalienável e seja dela plena e totalmente consciente.
Ame incondicionalmente.
Nada o destruirá, pois o amor é absolutamente terapêutico.
Atreva-se simplesmente a Amar e ser consequente com esse Amor em todo o seu Ser. Nada mais lhe pode ser pedido nem mais lhe é exigido para ser feliz, pleno e total.
*
Por prevenção, não se iluda nem desiluda, pois ilude-se quem vive em ilusão e desilude-se quem nela está mergulhado.
Não desperdice o único bem que tem para viver e ser o que é: o seu presente. Largue o passado e não se fixe no futuro, nenhum existe. São pura ilusão.
Só no presente, neste preciso momento, qualquer estado de sofrimento pode ser evitado, tratado ou transmutado.
Só no presente, neste preciso instante, pode agir, actuar, mudar, alterar da forma mais fácil, simples e possível, pois só este é o  momento certo.
Só no presente é possível desconstruir, descomplicar, ser livre e pleno. Atreva-se a viver, a amar e a ser, sendo efectivamente, aqui e agora.
O Universo, não duvide nunca, reclama tudo isso e só isso de e para si.

13 Junho, 2013

existencial

 
 
"Para que se conhecer a existência, tem de ser existencial. E você não é existencial, vive de pensamentos. Vive no passado, no futuro, mas nunca no aqui e agora. E a existência é precisamente aqui e agora. (...) Pensa que vive, mas não vive. Pensa que ama, mas não ama. Apenas pensa no amor, pensa na vida, pensa na existência, e esse pensar em si é a questão, esse pensar é uma barreira. Abandone todos os pensamentos e verá. Não achará uma única pergunta; só a resposta existe." - Osho, "Intimidade".

28 Maio, 2013

por uma vez

Manifesta-se através de mim, bem longe da minha vontade, da minha mente e muito para além da minha disponibilidade, traços que se me revelam e aos quais limito-me a aceitar como dádivas do Universo, porque nucleares para a minha consciência individual do que Sou.
O da espiritualidade - e todo o ser é espiritual, por natureza inalienável - que me vai facultando compreensão às perguntas fundamentais da própria Existência enquanto tal. E serve de meu guia mestre.
O da Linguagem Vibratória da Vida que constitui, acima de tudo, revelação de mim mesmo para comigo próprio, em contínuo e em permanência. E a capacidade, ainda muito parca e ténue, de simplesmente retribuir ao Universo, dando alguma ajuda ou protecção a quem o queira, quando se possa e deva.
O das memórias de terapeuta holístico, obtidas noutras precedências e noutros locais, e que vou sentindo cada vez mais presente e que minhas não faço.
O Ser que, de acordo com a minha Natureza Maior de que não duvido, sou de Amor, Compaixão, Aceitação e Confiança incondicionais. E isto mesmo que o Universo, na sua infinita sabedoria e inteligência, nos confronte ao colocar a Alma a latejar de impotência total e o nosso Espírito a ter de aceitar sem condição que uma parte de nós possa, por ora, querer simplesmente dar por finda a sua "comissão de serviço".
Por uma vez, este sou eu.