é assim | a estrada da sintese

"Um dos meios primordiais e absolutamente imprescindível para a tomada de consciência e evolução conscencial do Ser é, creio que sem dúvida, a assunção por parte de cada Um, de forma plena, verdadeira e consequente, do método dialéctico.

De facto, desde os Gregos, a dialéctica consubstancia um diálogo em permanência entre factos (na acepção mais ampla que se possa imaginar de factos) contrapostos/contraditórios, de cuja contraposição e contradição é ela própria geradora de outros e diferentes factos.

Divulgada com maior ênfase por Hegel, o método dialéctico assenta numa tese (facto, afirmação ou situação inicial), numa antítese (negação desse facto, afirmação ou situação inicial) e numa síntese.

Esta última nasce da essência do conflito imanente entre a tese (afirmação/negação) e a antítese (negação/afirmação, respectivamente) e que dá lugar a um novo e diferente facto, afirmação ou situação, por comparação com os pontos de partida, ainda que contenha toda a essência e gérmen útil destes.

É certo que quando consolidado o novo facto, afirmação ou situação que a síntese permitiu revelar, tornar-se-á ele próprio, pela natureza das coisas e com a consciência parte do Ser, num novo ponto de partida. Ou seja, uma nova tese, a que seguirá a respectiva antítese, num ciclo nunca terminado. Porque, como aqui já se disse noutras oportunidades, somos sempre mudança e mudança relativa.

Serve isto para dizer que o foco instrumental, mas notavelmente eficaz, para que todo o Ser possa, querendo no alto critério do seu livre arbítrio (claro está!…), assumir a consciência do que É e evoluir conscencialmente é constatar e aceitar a constatação de que, ele próprio, é produto, sempre inacabado e sempre na forja, da Sua própria e inalienável dialéctica. Isto é, das Suas próprias teses, antíteses e sínteses, delas tenha consciência ou não.

Focando sempre e necessariamente a sua atenção permanente nas Suas, no sentido de própria e exclusivas, Sínteses.

Não sendo jamais refém e escravo de sínteses de outros – as que, muito frequentemente, são bondosamente dadas, vendidas ou impostas “docement” por terceiros que só nos querem o melhor bem do mundo – nem tão pouco, e muito menos, pelas malhas lodosas das teses e antíteses, geradoras por si só e sem a síntese, de verdadeira involução. E não de evolução, que possibilita o crescimento de todo o Ser.

Quando assim fôr, ver-se-á que a estrada bem pode chamar-se Sínteses. As de Cada Um. Ainda que em tal estrada árdua só se deva, em permanência e primacialmente, circular. E não cristalizar."

in Cidade Net.

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