A falácia da banalidade das coisas triviais.

Nearlly full moon rising Robin Capper RobiNZ Blog

"Na linha do horizonte, onde as serrilhas da montanha esculpem o céu, os raios de sol gotejam pela encosta. Vejo mal, pois claro (que raios de sol não gotejam!). Como em tantas vezes que perscrutei pedaços de vida à procura das coisas que neles antes não vira. Nunca se sabe se é de as procurar que se encontram, ou se encontram simplesmente porque já lá estavam. Se as procuras criam ou inventam, o que sem as essas demandas seria mero inexistente. Menos que miragem. Ou se o julgar encontrá-las é ainda assim uma simples falácia.

Quando as ideias se encaixam, como pequenas peças de um puzzle singular, bem que as procuro ver. Até entendendo que vital saber delas, das quase etéreas falácias. Muitas vezes, debalde, pois que se infiltram pelos espaços intersticiais dos pensados, pelos ladrilhos dos vividos, pelos mosaicos dos sentidos. E ainda que sabendo-as confundentes invisíveis, pensar que elas podem lá estar retorna como uma procura. E pode acabar a criar o que se julga procurar.
E assim, no engano das banalidades da vida, emergem palavras e imagens, sentimentos e ideias. Revejo o que se foi mutando e o que se manteve, e percebo que a percepção das banalidades é (também) o que permite a construção do agora. De Píndaro tomo o torna-te o que és; de Nietzsche, o imperativo transforma-te no que vais sendo. E a aceitação é sempre uma acção sobre o novo, de poros abertos e alma em movimento. Por isso faz sentido dar sentido às banalidades, na vitalidade da belíssima frase nietzschiana: "aqui poderíamos viver, posto que aqui vivemos".

Banalidades sejam - as coisas pensadas, vividas e sentidas.
Trivialidades.

Pois que o banal se contamina, de mim e como eu, da finitude e da precaridade, da insignificância. Pode ser assim, porque a certeza da morte faz a vida – a minha vida, única e irrepetível, por banal que seja – algo tão mortalmente importante para mim. Com a aceitação do sentimento trágico da vida de modo pleno, de sorriso largo. Pois que mesmo quando existe escuridão, é possível reevocar a gargalhada da vida, a potência da força e da vontade. O trágico está presente - afirma-se pelo que foi, pelo que é, pelo que será. Sem frivolidade, possível de acompanhar com riso. O riso da alegria do instante presente. Ou não. Dependendo da banalidade singular. E da falácia que ela não viu."


O texto - "suave, irrepetível, profundo e leve" - é da autoria exclusiva do Conversamos?!.... A imagem é escolha cá da casa. Em "Horizontes, mares e marés" coube, em reverso, ao Conversamos?!... a sua magnífica ilustração. Penhoradamente se agradece. A simpatia e o desafio então iniciado. E, vamos conversando?

Comentários

Maria disse…
Lindo, estou sem palavras,bj.
Belo texto, bela imagem.
Não há, de facto, BANALIDADES quando se trata da vida. Nietzsche e Píndaro muito bem acolhidos! Obrigada! :)
Claudia Perotti disse…
Adorei o post e claro a imagem tb!
Beijinhossss
Vênus disse…
"She saw, felt".........Através dos mosaicos dos sentidos. Belo e intrigante.

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