Autarcas perdidos? Ou não?

"ANÚNCIO: Precisam-se de autarcas.

A questão central que actualmente qualquer cidadão coloca e que importa dar resposta é a de saber qual será a principal missão de todos aqueles que decidiram, por vontade própria ou por mero “capricho partidário”, abraçar um desafio de enorme responsabilidade: Exercer funções autárquicas.
Será que assistimos a uma total subserviência ao nosso sistema político, enquanto integrantes na administração pública regional e local?
Ou, ignoram essa “bajulação” e pugnam para que através da sua verdadeira condição de autarca, possam vir a contribuir para a valorização do papel que todos os cidadãos desempenham na sociedade?
A verdade é a de que raras são as excepções na RAM, em que tudo o que “mexe”, ao nível do exercício do poder local, não seja partidarizado e fortemente controlado por lobbies económicos e interesses tentaculares obscuros:
É o urbanismo e ordenamento do território;
É ambiente, as obras públicas;
É o desporto e cultura;
Enfim, tudo é desenvolvido muitas das vezes, ao sabor de fortes interesses instalados e dessa subserviência.
Entendo que um autarca deve, desde a primeira hora, vincular-se, com o estatuto constitucional e legal da instituição à qual concorre ou representa e desde logo, ao seu bom nome, à sua credibilidade e ao facto da mesma dever ser uma pessoa de bem.
As pessoas estão carentes de autarcas exclusivamente obrigados ao seu estatuto e missão legal, que não “politiqueiros” subordinados à “politiquice” e que vergam ou acolhem interesses estranhos políticos e económicos aos que estão obrigados a prosseguir.
Que democratizem, na prática, a gestão municipal, simplifiquem a relação com os cidadãos e reforcem a sua participação, como melhor prevenção à corrupção e tráfico de influências.
Que privilegiem o social, o apoio e estímulo às actividades directamente relacionadas com as necessidades manifestadas pela sua comunidade, desenvolvida através da elaboração de um diagnóstico e conhecimento das carências sociais da população em geral e de grupos específicos: crianças, jovens, idosos, excluídos sociais e deficientes.
Que, na sua verdadeira missão e condição, sejam pioneiros na aplicação de políticas integradas de desenvolvimento, baseadas no rigor, na transparência, na sensibilidade social, na participação e na qualificação, dando prioridade às políticas de desenvolvimento, qualidade de vida, urbanismo, ambiente, protecção civil e defesa do consumidor.
Que contribuam para a modernização da gestão camarária, e dêem um impulso na promoção de uma cultura de inovação, qualidade e eficácia na relação com os cidadãos e na prestação dos serviços, promovendo melhores condições de cidadania.
Perante esta natural convicção fico triste e até mesmo envergonhado...
Triste e envergonhado porque sou autarca. Autarca, pertencente ao órgão executivo do Município de Santa Cruz e a desempenhar funções em regime de não permanência e vejo muitos autarcas perdidos nas mais diversas e “infundadas” declarações públicas.
Verdade seja dita, que já estou confuso e não sei se são acções de perda de mandato ou, autarcas perdidos.
Recordo, tão-somente, que todos os autarcas estão vinculados e obrigados ao seu estatuto e missão legal, que não “politiqueiros” subordinados à “politiquice”.
Por tudo isto, sinto que a nossa sociedade está carente de verdadeiros autarcas capazes de impulsionarem uma transformação politica e que tracem uma nova ambição ao Poder Local Democrático.
Espero que deste anúncio surgem muitos candidatos.
Santa Cruz, 27 de Julho de 2007."

Filipe
Martiniano Martins de Sousa, Vereador na Câmara Municipal do Município de Santa Cruz.

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